segunda-feira, 11 de junho de 2007

Um novo desafio para Leandro Sapucahy

Produtor musical, instrumentista, cantor, compositor, enfim, são muitos os atributos de Leandro Sapucahy. É com um misto de samba de qualidade, pitadas de hip-hop, numa linguagem rap, além de recursos de scratch, que o sambista vem conquistando uma legião de fãs, do calibre de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Marcelo D2, entre muitos outros.

Tido como uma das melhores surpresas do samba nos últimos tempos, Leandro Sapucahy, no momento, está se dedicando mais cantar suas próprias músicas. Modesto, no entanto, ele não gosta muito do rótulo de cantor, porque não se considera um. "Prefiro ser chamado de mensageiro já que o objetivo da música que faz é levar mensagens para o povo", justifica.

Apesar de estar mais em evidência agora, e ser um talento novo no mundo do samba, Sapucahy é, como se diz popularmente, um macaco-velho no mundo da música. Começou essa estrada no Água na Boca, grupo que despontou na segunda metade da década de 90, e conquistou a fama com a mudança do nome para Boka Loka. Na época, Leandro se arriscava no microfone, mas, como achava que essa não era sua praia, passou a cuidar apenas da percussão da banda com o novo título.

Mas, sua afinidade com o ritmo mais típico do Brasil nasceu bem mais cedo, estimulada, especialmente pela mãe, que, involuntariamente, apresentou ao filho clássicos de Cartola, Moreira da Silva, João Nogueira, Roberto Ribeiro e outros craques do samba. “Minha mãe foi uma das maiores incentivadoras para a minha carreira”, conta Leandro.

No Boka Loka, Sapucahy pode praticar ainda mais seu lado instrumentista e começou a demonstrar um interesse maior por produção musical. Com a saída do grupo por conta da vontade de alçar novos caminhos, Leandro decidiu entrar de cabeça no mundo da produção.

Nesse novo caminho, ele contou com o apoio e a diretriz de Bira Hawaii, produtor de prestígio, responsável por bons discos dos grupos Molejo, Soweto, Exaltasamba e Revelação.

Assim, Sapucahy ganhou experiência e conquistou seu espaço, mostrando o valor que tinha a frente dos trabalhos do Boka Loka, Swing & Simpatia, Imaginasamba e, mais recentemente, Sorriso Maroto, tendo todos se transformando em sucesso de público e também em um grande número de cópias vendidas.

No ofício de produtor, Leandro se deparou com um pequeno problema: boas composições que caíam em suas mãos, mas que não encontravam espaço no trabalho dos cantores que produzia, porque não era bem o que a mídia exigia. Acreditando no potencial dessas canções, ele passou a guardá-las para, um dia, incluí-las na obra de um cantor que se encaixasse naquele perfil.

O tempo passou, e o tão esperado cantor nunca apareceu. Decidido a colocar na rua o material que tinha, Sapucahy decidiu tocar ele próprio o projeto, voltando a assumir os vocais, como na época do Água na Boca. O resultado dessa tarefa acabou originando Cotidiano, primeiro disco solo do cantor, que já emplacou três hits: "Polícia e Bandido", "Tá tranqüilo, Shock" e "Bala perdida".

Aparentemente, seu intuito vem sendo alcançado, visto a boa repercussão junto ao público, principalmente pela atualidade dos temas tratados em suas canções, “Quero poder levar minha música para o mundo inteiro, mas sei que isso precisa de muita dedicação, e tempo”. Afirma o músico de 35 anos que acumula em sua carreira uma trajetória bastante inusitada.

O talento de Leandro é muito bem-vindo aos nossos ouvidos por representar a verdadeira Música Popular Brasileira, swingada e criativa.

Vida longa a essa carreira e muito mais sucesso a ele!